Para onde caminha a relação sino-colombiana?

O rio Madalena, na Colômbia. Existe um plano para converter o Madalena em uma grande autopista (image: Joz3.69/ Flickr)

Para onde caminha a relação sino-colombiana?

Durante a reunião dos líderes da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em novembro passado, o Presidente Xi Jinping disse que as relações diplomáticas sino-colombianas melhoraram e que a cooperação em finanças, infraestrutura, manufatura, energia e agricultura chegaram ao “próximo nível”, uma das expressões favoritas dos oficiais chineses.

Alguns dias antes, a Agência Nacional de Infraestrutura da Colômbia licitou o contrato para a construção de estradas e outras obras relacionadas ao consórcio sino-colombiano Autopistas Urabá, no qual participa a China Harbour Engineering Company com 30% das ações. O projeto vai exigir um investimento de U$ 423 milhões e é considerado “estratégico” para o desenvolvimento da Antioquia, já que é parte de uma rede viária que transformará a região. E o que é ainda mais importante, este projeto aparentemente abrirá as portas para mais empresas chinesas.

Entretanto, diferente de seus vizinhos venezuelanos e equatorianos, os colombianos foram mais cautelosos no seu relacionamento com a China – os investimentos chineses na Colômbia alcançam apenas 0.2% dos investimentos estrangeiros diretos totais e a China só repassou um empréstimo à Colômbia que representa insignificantes 0.6% de todos os empréstimos chineses à América Latina – cujas razões foram bem entendidas.

Ambiente e Sociedade, uma ONG colombiana, sustenta que há pouco conhecimento na Colômbia sobre a crescente presença da China no país e que é primordial para a sociedade civil colombiana compreender quais parâmetros têm os investimentos chineses, que interesses perseguem, como essas aplicações se traduzem em projetos concretos que possam satisfazer as necessidades de desenvolvimento, e suas implicações socioambientais.

Com o propósito de contribuir para a análise, a Ambiente e Sociedade publicou em novembro o relatório: “Investimentos Chineses na Colômbia: Revisão dos Convênios de Cooperação entre Colômbia e China”. O relatório representa um esforço importante e pioneiro entre as ONGs da região; em primeiro lugar, porque fornece informação que, devendo ser pública, não é facilmente acessível; e depois, porque auxilia a aferir o financiamento chinês na Colômbia, sua história, sua estrutura e suas tendências.

Segundo esse mesmo relatório, três momentos foram importantes no desenvolvimento da relação sino-colombiana: a assinatura do Tratado Bilateral de Investimentos, em 2008 (passou a vigorar em 2012); a assinatura de Acordos em 2012, durante a visita do Presidente Juan Manuel Santos à Ásia e o Acordo de Cooperação Petroleira; e os Acordos firmados em maio de 2015 durante a visita do Primeiro Ministro chinês Li Keqiang. Além disso, China e Colômbia prosseguem, com entusiasmo, nas conversas sobre a assinatura de um Tratado de Livre Comércio.

O relatório assinala que a China e a Colômbia firmaram aproximadamente 20 acordos de cooperação. Mesmo que a maioria deles esteja direcionada a promover o comércio e a cooperação técnica e econômica (14 acordos), o “setor onde se concentra a maior quantidade de investimentos chineses é no setor de hidrocarbonetos, onde se busca gerar oportunidades de cooperação para que as empresa chinesas possam investir…”. Outro setor importante é o de infraestrutura (cinco acordos), entre os quais se destacam projetos como o plano de aproveitamento do Rio Madalena, o Parque Industrial de Buenaventura e o projeto da Autoestrada para o Mar.

A Colômbia, assim como a Venezuela e o Equador, está sofrendo a crise da queda do preço do petróleo, que representa “54% das exportações do país, 40% do investimento estrangeiro vem da indústria petroleira e a quinta parte dos ingressos fiscais da Nação é gerada pelo setor”. Segundo alguns analistas, a construção de infraestrutura poderia ser a “tábua de salvação” para dinamizar o investimento e o emprego; para outros, a Colômbia vai preferir a contratação dos créditos, aproveitando-se do fato de que ainda inspira confiança nos mercados financeiros.

Em ambas alternativas, Colômbia e China poderiam encontrar oportunidades para que a cooperação desse o “salto para o próximo nível”. Mas, antes disso, a Colômbia teria muito que aprender com seus vizinhos.

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