Presidente Xi defende desenvolvimento com baixo carbono

Primeira vez que um presidente chinês participa do Fórum Mundial de Davos (image: World Economic Forum )

Presidente Xi defende desenvolvimento com baixo carbono

Na conferência de imprensa que antecedeu o início do Fórum Econômico Mundial de 2017 em Davos, o professor Klaus Schwab, fundador do prestigioso encontro anual que reúne líderes da política, empresários e representantes da sociedade civil do mundo inteiro, começou seu discurso fazendo uma descrição desanimadora do último ano.

“A hostilidade crescente contra os efeitos da globalização econômica, principalmente nas democracias industriais, pode ter um impacto perturbador nas atividades econômicas e na estabilidade social de vários países”, afirmou.

Ao se reunirem na isolada cidade suíça de Davos, que empresta o nome à conferência, os líderes mundiais terão de confrontar um cenário global desalentador, marcado pelo surgimento de movimentos populistas, por um crescimento econômico enfraquecido e desigual, e por um aumento cada vez maior dos desafios ambientais. Dos líderes também é esperada uma “liderança responsiva e responsável”, tema escolhido para o fórum deste ano.

Na busca por soluções, um dos líderes mais visados atualmente é o presidente chinês Xi Jinping, que realiza um inédito discurso de abertura no fórum nesta terça-feira. A mídia estatal divulgou que o discurso pretende apresentar em maior profundidade a visão de Xi sobre o “destino comum da humanidade”, além de sua estratégia para renovar a colaboração mundial.

Além da articulação de ideias grandiosas, os líderes do mundo inteiro terão a chance de aprender mais com as experiências reais da China nos últimos anos, período em que o país buscou “motores” alternativos para impulsionar seu crescimento econômico, tema de muito interesse no encontro de Davos este ano. A comitiva do Presidente Xi, composta por líderes empresariais chineses, dessa vez inclui alguns dos empreendedores mais bem sucedidos do país. Alguns vêm do setor de energias renováveis, que é um dos setores que mais cresce no país, além de ser indispensável para o cumprimento dos objetivos ambientais e sociais da China.

Então o que, afinal, o mundo poderá aprender com a experiência da China sobre seus investimentos nas energias renováveis, como a solar e a eólica?

Revigorando a economia

A capacidade de geração de energia renovável da China cresceu rapidamente nos últimos anos. Sua capacidade eólica aumentou de 31gigawatts (GW) em 2015 para 145GW, e é maior do que a da Europa. O país instalou, em média, duas turbinas eólicas por hora. A capacidade chinesa de energia solar também está crescendo rapidamente: em 2015, eram 15GW de capacidade instalada; hoje, já são 43GW.

Ambos os casos representam, nos seus respectivos segmentos, o maior crescimento anual já alcançado por um país no mundo. Para fins de comparação, o aumento da capacidade eólica da China, em 2015, foi equivalente à toda a capacidade de energia renovável do Reino Unido, enquanto seu crescimento em energia solar foi igual à soma da capacidade total de energia solar do Reino Unido e da Espanha.

Como resultado desse crescimento, o setor de energias renováveis é um dos principais empregadores na China. Em 2015, foi responsável por absorver 3,5 milhões de trabalhadores, quase um milhão a mais do que o setor de petróleo e gás. As vagas de emprego aumentaram em 1,8 milhão desde 2012. Em comparação, 769.000 empregos foram gerados no mesmo setor nos EUA em 2015, o que representa um aumento de apenas 157.000 desde 2012.

A China acredita que seu 13o Plano Quinquenal criará mais 13 milhões de empregos no setor até 2020. Isso significa que mais de 5.000 vagas serão criadas por dia, assumindo uma taxa constante durante o período de vigência do plano de desenvolvimento chinês (2016-2020). Os novos postos incluem os atuais 3,5 milhões de empregos em energias renováveis. Se for considerado o fato de que menos de que 55.000 pessoas trabalhavam nas minas de carvão dos EUA no final de 2016, isso significa que em um ano a China vai criar 34 postos de trabalho no setor de energias renováveis para cada um no setor de mineração de carvão dos EUA.

Compromisso com investimentos

O crescimento forte e estável das energias renováveis na China deve-se, em grande parte, ao inabalável compromisso do país em investir neste setor emergente. O maior banco de desenvolvimento do país, o Banco de Desenvolvimento da China, por exemplo, apoiou a indústria de energia solar fotovoltaica em momentos de grande turbulência.

Hoje em dia, a China é o maior investidor do mundo em energia limpa. Em 2015, os investimentos do país em energia renovável somaram US$ 102,9 bilhões (709,7 bilhões de yuans), excluindo as grandes hidrelétricas. O valor representa 36% de todo o investimento mundial no setor e um aumento de 17% em relação a 2014.

Entre 2015 e 2020, a China espera aumentar em 100GW sua capacidade nacional de energia eólica, além de aumentar em uma quantidade equivalente a sua capacidade de energia solar, cumprindo assim suas metas de pico de emissões até 2030. Para isso, será necessário investir mais US$ 361 bilhões (2,5 trilhões de yuans) no setor de energias renováveis até 2020. Hoje, as empresas chinesas dominam o mercado mundial do setor: a maior empresa de energia eólica do mundo, e cinco das seis maiores empresas de energia solar, são chinesas.

O país também está fazendo investimentos internacionais no setor de energia limpa, aproveitando o rápido crescimento da demanda global por energias renováveis (a energia limpa será responsável pela maior parte do crescimento da capacidade energética mundial, nos próximos cinco anos, de acordo com a Agência Internacional de Energia). Em 2016, os investimentos estrangeiros feitos pela China no setor de energias renováveis incluíram 11 acordos que, individualmente, ultrapassaram o valor de US$ 1 bilhão (6,9 bilhões de yuans), totalizando US$ 32 bilhões (220 bilhões de yuans), um aumento de 60% em relação ao ano anterior.

Ofuscando os EUA

No fórum deste ano, é possível que os líderes recebam mensagens conflitantes das duas principais economias do mundo no que diz respeito às energias renováveis. Enquanto a China está abraçando o setor que muitos acreditam ser a futura base energética da sociedade, o próximo governo dos EUA parece estar focado nos combustíveis fósseis, nomeando o executivo de uma empresa petrolífera e um “incrédulo do clima” para chefiar o Departamento de Estado e a Agência de Proteção Ambiental do país.

Desde 2012, os investimentos da China em energias renováveis vêm superando os dos Estados Unidos, todos os anos. O investimento norte-americano no setor em 2015 foi de US$ 44,1 bilhões (304 bilhões de yuans), o que representa um aumento de 19% em relação ao ano anterior, mas que ainda assim é menos da metade do investimento chinês.

Em 2015, havia 769.000 empregos no setor de energias renováveis nos EUA, um aumento de cerca de 6% em relação ao ano anterior. Os postos de trabalho em energia solar cresceram 12 vezes mais rápido do que a taxa geral de empregos do país, ultrapassando o número de empregos gerados no setor de extração de petróleo e gás (172.400 empregos em dezembro de 2016) e no de mineração de carvão (53.800). Os números são muito impressionantes, porém, durante o mesmo período, os empregos no setor de energias renováveis na China aumentaram em 133.000, ou seja, quase três vezes mais rápido.

Todas as mudanças em políticas climáticas ou em energias renováveis nos Estados Unidos devem ser observadas dentro do contexto da transformação energética mundial que está em andamento. Embora medidas norte americanas que buscam desacelerar a expansão das energias renováveis e encorajar os investimentos nos combustíveis fósseis possam ter o efeito de desestimular os investimentos em energias renováveis nos EUA, é improvável que elas representem uma ameaça à implantação das tecnologias de energia limpa em escala global.

Junto com a Índia e outros países, a China vem adotando a descarbonização. A imensa maioria da população chinesa afirma estar preparada para desembolsar um valor maior por eletricidade de baixo carbono – em comparação, apenas metade dos cidadãos norte-americanos afirma o mesmo –, de acordo com pesquisas realizadas em 2013 e 2014.

Conforme discurso do Presidente Xi em Davos, a China está abraçando muito mais do que a descarbonização. O país se mostra pronto para capitalizar a poderosa energia do sol, do vento e de outras fontes renováveis de energia para reconfigurar sua economia e assegurar sua competitividade global no futuro.

Esta matéria foi publicada primeiramente pelo chinadialogue.net

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